Bartimeu se sentava todos os dias no mesmo lugar junto ao caminho de Jericó, pedindo esmola. Qualquer pessoa que passasse por ali sabia exatamente o que havia com ele: era cego, era pobre, dependia do que os outros quisessem lhe dar. Não era preciso perguntar nada para entender sua situação. Quando ele grita pedindo que Jesus tenha misericórdia dele, a multidão até tenta silenciá-lo, como se sua necessidade já fosse óbvia demais para que insistisse tanto.

Jesus para. E a primeira coisa que faz não é curá-lo, nem sequer dizer uma palavra de conforto sobre sua condição. Faz uma pergunta que, dado quão evidente era o problema, parece quase desnecessária: “que queres que te faça?” (Marcos 10:51). Jesus, que sabia perfeitamente o que havia com aquele homem, ainda assim pede que ele diga isso com as próprias palavras.

A diferença entre ser ajudado e ser consultado

Existe uma maneira de tratar alguém que precisa de ajuda que consiste em decidir por essa pessoa o que ela precisa e agir, sem perguntar mais nada. Às vezes isso vem de compaixão genuína, mas também pode vir de assumir que já sabemos o suficiente sobre alguém para não precisarmos escutá-lo. Bartimeu provavelmente tinha passado anos recebendo esmolas de gente que nunca perguntou o que ele realmente precisava, que simplesmente assumiu que um pouco de dinheiro bastava.

Jesus faz algo diferente. Dá a Bartimeu a dignidade de nomear seu próprio desejo, em vez de simplesmente agir sobre ele como se fosse um caso a resolver. E a resposta de Bartimeu é direta: “Mestre, que eu veja.” Ele não pede dinheiro, nem uma compaixão genérica. Pede exatamente o que quer, porque alguém finalmente perguntou.

Uma pergunta que continua sendo feita

Essa mesma pergunta ainda faz sentido hoje, mesmo quando o que está errado com você parece óbvio para qualquer pessoa que te conheça. Jesus não se aproxima das pessoas assumindo que já sabe tudo o que elas precisam ouvir dele, ainda que, sendo Deus, ele saiba. Ele se aproxima perguntando, dando espaço para que você diga em voz alta o que realmente quer pedir a ele, não só o que outros já decidiram que você precisa. A pergunta que ele fez a um cego junto ao caminho continua aberta para qualquer um que se atreva a respondê-la com honestidade.